Aluno ganha prêmio internacional na área química

Película com ação bactericida vence certame nos Estados Unidos

Há quem diga que as bactérias, cada vez mais resistentes, acabarão por herdar a Terra. No que depender de Thiago Sequinel, no entanto, elas terão muita dificuldade para tomar posse do planeta. Aluno de pós-graduação do Instituto de Química da Unesp, câmpus de Araraquara, Sequinel, 25 anos, idealizou, após anos de pesquisa, um material com forte poder bactericida que pode ser aplicado, de maneira indelével, a qualquer superfície – cerâmica, madeira, vidro, plástico. Seu trabalho – importante instrumento para o controle de infecções – acaba de receber o primeiro prêmio do Idea to Product (Da idéia ao produto), competição internacional que reúne, anualmente, nos Estados Unidos, representantes de algumas das mais importantes instituições de ensino do mundo. Para receber a láurea – um troféu e US$ 10 mil –, Sequinel venceu inscritos de outras 15 universidades da Ásia, Europa, América do Norte e América do Sul – um feito inédito no País. 


Ainda sob o impacto da premiação, entregue em Austin, Texas, no final do mês de outubro, o doutorando confessa a surpresa com o reconhecimento. “Não que eu não acreditasse no potencial da nossa pesquisa, mas era muita gente boa participando”, diz. “Ver esse trabalho, que desenvolvo desde a minha iniciação científica, reconhecido num certame com essa envergadura, foi bom demais.” O trabalho consiste, basicamente, na criação de uma metodologia para a formação de uma delgada película de óxido de titânio, elemento inorgânico altamente estável que é bactericida. O diferencial, aqui, foi a obtenção do mesmo produto por meio de um método mais simples e mais barato. “Conseguimos boas respostas trabalhando com temperaturas relativamente baixas, em torno de 400ºC, e com alta pressão”, explica Sequinel. Os resultados não poderiam ser melhores: maior qualidade da película, chamada de “filme fino”, maior aderência à superfície a que for aplicada e maior tempo de vida.

Prova de fogo

Antes da etapa global, a pesquisa de Thiago Sequinel passou por outra prova de fogo: a seção latino-americana da competição, onde venceu 27 candidatos, entre participantes de instituições brasileiras e latino-americanas. Organizada em São Paulo pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), em setembro deste ano, o Idea to Product Latin America é uma espécie de vestibular para a versão global do certame.


Na Escola de Engenharia da Universidade do Texas, em Austin, o trabalho de Sequinel foi julgado por uma banca de especialistas, todos norte-americanos, de áreas como engenharia, economia, química, física e medicina, além de representantes do setor privado. A segunda colocação ficou com a Escola de Negócios de Estocolmo, Suécia, e a terceira, com a Universidade do Colorado. “A competição tem como objetivo encurtar o caminho entre a invenção e a inovação para o uso da sociedade”, diz René Fernandes, diretor de projetos do Centro de Empreendedorismo e novos Negócios da FGV. “Conseguimos demonstrar que as tecnologias desenvolvidas nos laboratórios das universidades podem chegar ao mercado como produto ou serviço de utilidade prática, colaborando para a geração de emprego e renda para o País”.


Iniciada na Universidade Estadual de Ponta Grossa, Paraná, sob a orientação do professor Sergio Tebcherani, ainda na graduação, a pesquisa de Sequinel foi sendo aprimorada até chegar ao IQ, no câmpus de Araraquara. “O Thiago tem tudo para se tornar um grande cientista”, diz José Arana Varela, diretor executivo da Agência Unesp de Inovação e orientador, junto com Élson Longo e Tebcherani, do doutorado de Sequinel. “Ele tem idéias, é independente, indagativo e sabe buscar o conhecimento”. Para Varela, a premiação foi muito importante não só para a Unesp, mas para todo o País: “Mostrou que podemos, sim, competir em pé de igualdade com qualquer outro país, seja ele Alemanha, Japão, Itália ou Estados Unidos”.     

 
Os próximos passos na condução da pesquisa, que já tem registro de patente depositado no Brasil, é a adaptação do processo para uso prático em grande escala e a investigação do potencial dessa técnica para outros fins. Mal chegou ao Brasil, aliás, Sequinel foi procurado por empresas do setor de cerâmica interessadas no licenciamento do projeto. De acordo com a Associação Nacional de Fabricantes de Cerâmica para Revestimento (Anfacer), o setor tem um potencial de US$ 20 bilhões no Brasil e US$ 26,5 bilhões nos Estados Unidos.       

Paulo Velloso      

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