A política de incentivo a investimentos em inovação tecnológica do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDES) será estendida, a partir de agosto, às pequenas e microempresas. A oferta será feita por meio do Cartão BNDES, que permitirá a aquisição de serviços como registro de patentes, transferência de conhecimento e desenvolvimento de produtos.
“Escolhemos o cartão como ferramenta para a inovação por conta de sua maior agilidade nas operações. Por ter seu funcionamento idêntico aos dos demais cartões do mercado, o limite de crédito é pré-aprovado e a transação é realizada na hora”, explica Ricardo Albano Dias Marques, gerente de Operações do Cartão BNDES.
Para colocar a nova linha na praça, o BNDES deu início na semana passada ao cadastramento das instituições que receberão o cartão como pagamento pelos seus serviços. “Nessa primeira etapa, estamos convidando cerca de 20 entidades. Nesse grupo estão, principalmente, universidades e institutos de pesquisa. Nosso objetivo, no entanto, é ampliar ao máximo essa rede de credenciados”, acrescenta Marques. A expectativa do BNDES é de que o cartão já esteja oferecendo a linha de inovação no início de agosto.
Criado em 2003 e com a base ultrapassando os 200 mil clientes, o Cartão BNDES tem limite de crédito de R$ 500 mil e é oferecido por intermédio de três bancos emissores: Banco do Brasil, Bradesco e Caixa Econômica Federal (CEF). Uma mesma empresa pode ter um cartão de cada uma das três instituições. A taxa de juros é de 1,5% ao mês, com a possibilidade de parcelamento em até 48 vezes. Podem solicitar o cartão empresas com faturamento anual de até R$ 60 milhões.
O gerente do BNDES lembra que, até o início deste ano, o cartão financiava apenas produtos. “A primeira abertura para serviços foi feita para o segmento de certificação”, diz Ricardo Albano. Hoje, entre prestadores de serviço e fornecedores de produtos, o banco já acumula 13 mil companhias autorizadas a receber o cartão como meio de pagamento.
Outra alternativa de uso do cartão será a contrapartida a investimentos públicos. “Muitas vezes, a empresa quer concorrer a uma linha na Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), mas não tem a contrapartida de recursos próprios exigida. Com a abertura para a inovação tecnológica, o cartão também poderá ser usado para estas garantias”, acrescenta.
Ricardo Marques conta que, por conta da crise econômica, o cartão tem registrado aumento no número de transações e de volumes negociados. No acumulado de janeiro a junho deste ano, o produto já movimentou R$ 1,04 bilhão, montante 172% superior ao registrado em igual período de 2008.
Nos primeiros seis meses deste ano, foram realizadas 71.570 operações, ultrapassando a marca do ano passado, de 60 mil transações. “Uma das explicações seria o fato de o cartão ter um limite já aprovado. Em tempos de crédito mais escasso, as pequenas e microempresas sentiram muita dificuldade de obter financiamento.”
Fonte: Jornal Estado de São Paulo (http://www.estadao.com.br)



