Uma indústria competitiva é aquela que oferece um produto de boa qualidade com preços atrativos. Porém, atualmente, reunir preço e qualidade não é o bastante, é preciso associar o fator sustentabilidade para garantir o espaço do Brasil entre as grandes potencias do mercado internacional.
Foi o que afirmou o professor da Fundação Getúlio Vargas e técnico da Ernst Young, Fernando Garcia, em reunião do Conselho Superior da Indústria da Construção (Consic) da Fiesp, nesta terça-feira (18).
De acordo com o estudo apresentado por Garcia – “Brasil Sustentável, série Horizontes da Competitividade Industrial” –, é preocupante a diferença que separa o Brasil dos países desenvolvidos no que se refere a investimentos em inovação.
A questão da capacidade tecnológica nos últimos anos, segundo Garcia, não tem sido tratada da forma adequada.
“Os investimentos em pesquisa e desenvolvimento estiveram, na média dos anos de 1990 a 2003, em torno de 1% do PIB, o que é muito pouco”, argumentou. “É um investimento muito reduzido, o que deixa o Brasil com um percentual muito abaixo na lista de 20 grandes importadores/exportadores de bens manufaturados”, sustentou.
As projeções mostram um aumento de 30% no preço da energia elétrica até 2030, e o barril de petróleo cotado a US$ 60, valor 117% superior ao preço médio dos últimos 17 anos.
Para Garcia, esse aumento nos custos impactará diretamente nas indústrias: “Na indústria de cimento, por exemplo, a energia representa 15% dos custos totais”.
Já o diretor-titular do Departamento da Indústria da Construção (Deconcic), José Carlos de Oliveira Lima, o estudo descreve o que já deve servir de estimulo dos representantes da cadeia. “Depois de 20 anos estagnado, o setor da construção no Brasil deve retomar a partir de uma base sustentável para reiniciar um crescimento responsável”, ressaltou.
“Quando analisamos as condições sob as quais ganhamos competitividade nos últimos anos, verificamos que o mundo todo cresceu a uma taxa superior à que vai crescer nos próximos 20 anos, e o mundo tinha como referência o preço do barril de petróleo que será metade do preço nas próximas duas décadas”, comentou o professor da FVG.
“Considerando esse cenário, num período em que a demanda interna não crescia de forma expressiva, as condições mudaram de forma desfavorável colocando situações novas para as quais o Brasil precisa se adaptar”, concluiu.
Reduzir, Reutilizar e Reciclar
Ainda em relação à construção sustentável, o diretor comercial e de relações externas da Fundação Holcim, Carlos Eduardo Garrocho de Almeida, apresentou projetos que têm como objetivo o progresso por meio da sustentabilidade respeitando três dimensões: econômico, meio ambiente e social.
“Não há projetos 100% sustentáveis, mas o que se pode fazer é buscar formas de se minimizar os impactos causados pela setor produtivo, e é isso que fazemos”, disse Garrocho.
De acordo com ele, a construção civil é um dos principais consumidores de recursos, sendo:
37% da energia,
40% dos recursos naturais,
30 a 40% dos resíduos.
Para ilustrar o impacto do consumo excessivo dos recursos, o diretor explicou que, cada vez mais, as pessoas percebem que as práticas sustentáveis são as mais eficientes a longo prazo.
“Hoje temos exemplos de lojas que ficam impossibilitadas de se estabelecerem em determinados shopping centers devido à alta conta de luz. Muitos estão optando por se instalar em edifícios sustentáveis que utilizam menos recursos. Isso barateia consideravelmente os custos”, completou Almeida.
Kacy Lin, Agência Indusnet Fiesp
(Fonte: FIESP)



