A Confederação Nacional da Indústria (CNI) promoverá em 19 de agosto, em São Paulo, o 3º Congresso Brasileiro de Inovação Tecnológica, em parceria com entidades setoriais e governo federal. O encontro mobilizará a indústria para a urgência de se incorporar a inovação como o centro de sua estratégia de negócios. “No congresso, será apresentado à sociedade um manifesto empresarial destacando a importância deste fator na agenda de competitividade das empresas”, adianta Rafael Lucchesi, diretor de Operações da CNI.
No primeiro congresso, realizado em outubro de 2005 – dez meses depois da regulamentação da Lei de Inovação -, os debates estiveram centrados na necessidade de se criar um ambiente favorável ao desenvolvimento tecnológico das empresas de forma a permitir que elas ganhassem competitividade no mercado internacional. No segundo encontro, em 2007, a CNI apelava às empresas para que ampliassem as iniciativas e investimentos em inovação e apontava o papel central do governo federal no apoio ao desenvolvimento tecnológico por meio de financiamentos e instrumentos fiscais que permitissem “massificar a tecnologia”, conforme afirmou na época o presidente da instituição, Armando Monteiro Neto.
Hoje, o esforço de inovação no País envolve mais de 30 mil empresas, de acordo com a Pesquisa de Inovação Tecnológica (Pintec), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e movimenta algo em torno de R$ 34 bilhões, segundo Lucchesi. A mobilização empresarial, no entanto, tem que estar respaldada em um movimento mais amplo, de caráter “multi-institucional”, que articule organizações públicas e privadas. “Existem avanços claros na agenda de inovação na área de política pública, mas ela pode ser melhorada”, afirma.
Os marcos legais da política de inovação no País – Lei de Inovação e Lei do Bem, entre outros -, em sua avaliação, precisam ter maior “efetividade” para garantir competitividade à indústria brasileira. Nessa perspectiva, um dos temas que estarão em debate no congresso promovido pela CNI será a necessidade de uma maior coordenação público-privada na disseminação de uma agenda da inovação. “É preciso fazer convergirem as ações de coordenação de políticas como nos países de economia industrial avançada”.
No 3º Congresso, o Sistema Indústria apresentará mais uma contribuição para o avanço do desenvolvimento tecnológico no País. O Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) lançará o Portal Inovação: canal de comunicação e “arquivo técnico” com informações sobre o avanço da inovação no Brasil e em todo o mundo, além de um ambiente para a identificação de parceiros para iniciativas tecnológicas.
“O nosso objetivo é posicionar a marca e apresentar o Senai como um player importante na atividade de inovação”, explica Orlando Clapp Filho, gerente-executivo da Unidade de Inovação e Tecnologia do Senai Nacional. O Portal reunirá projetos de pesquisa contemplados nos editais promovidos pelo Senai, assim como a evolução das propostas aprovadas pela iniciativa. Entre os 50 projetos implementados está o da Buettner, de Santa Catarina, que, em parceria com o Laboratório de Ensaios Físicos e Químicos Têxteis do Senai-SC, desenvolveu e colocou no mercado uma toalha ecologicamente correta, livre de
produtos químicos.
“O mercado têxtil mundial está muito competitivo. É necessário se diferenciar da concorrência com produtos inovadores. Na parceria com o Senai, desenvolvemos o produto e uma metodologia voltada para a inovação”, afirma Edvânio Duarte, gerente de Inovação da empresa.
O Portal trará ainda notícias sobre os projetos aprovados no Inova Senai que, em sua primeira edição, em 2008, reuniu 30 propostas de alunos e de docentes da organização de todo o País e premiou os três melhores nas categorias processo e produto inovador, e um quarto, escolhido pelo voto popular.
O projeto vencedor na categoria aluno-produto inovador, por exemplo, foi o Display Holográfico que transmite informações criativas sob uma visão de 360 graus, desenvolvido por Andrigo Machado Costa, do Centro Tecnológico de Mecatrônica, do Senai de Caixas do Sul. Depois do prêmio, ele anunciou intenção de “patentear o projeto e colocar no mercado”.
A convite do Senai, 16 empresários e dirigentes que participaram de edições dos editais estarão no 3º Congresso de Inovação apresentado as estratégias adotadas pelas empresas para incorporar produtos e processos inovadoras. Dez iniciativas bem-sucedidas serão apresentadas em vídeo durante o encontro, numa espécie de “degustação tecnológica”.
Programação
8h Credenciamento
9h Sessão de abertura
Palestrantes:
Armando Monteiro Neto (Presidente da CNI)
Sérgio Rezende (Ministro da Ciência e Tecnologia)
Miguel Jorge (Ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior)
9h40 Apresentação
Palestra:
Inovação: repensando o futuro Rowan Gibson
10h30 Talk-show – Inovação nas empresas: avaliação e perspectivas
Mediação:
Ana Paula Padrão
Participantes:
Luciano Coutinho (BNDES)
Jorge Gerdau (Gerdau)
Luiz Fernando Furlan (Sadia)
José Sérgio Gabrielli (Petrobras)
Michel Vale (3M)
Cledorvino Belini(Fiat)
12h10 Manifesto pela Inovação nas Empresas
12h30 Almoço Inovação para o crescimento sustentável
Palestrante:
Brian Bacon
14h Iniciativas de Inovação no Brasil e no mundo
Palestrantes:
Jean Guinet (OCDE)
Cesar Vohringer
Carlos Pacheco
15h10 Casos de sucesso em inovação
Palestrante:
Nancy Tennant (Whirpool)
16h10 A agenda de inovação para as pequenas empresas (nomes a confirmar)
17h30 Encerramento
(Fontes: Revista Senai Brasil – Junho de 2009; CNI; PROTEC)



