Futuro do País depende de inovação tecnológica

A capacidade da indústria de inovar e agregar valor às várias fases da cadeia produtiva é decisiva para o País superar os efeitos da crise externa e se preparar para a retomada do crescimento. Sabemos que o desenvolvimento tecnológico depende fundamentalmente do apoio do Governo e, nesse sentido, entre os avanços mais significativos estão a iniciativa de colocar a inovação no centro da política industrial e o estabelecimento de incentivos, subvenções e financiamentos oficiais às atividades inovadoras.

Mas também reconhecemos a necessidade de uma participação mais ativa do setor privado para fazer avançar o processo, já que há ainda muito por fazer.

Os empresários precisam estar à frente dos debates e da condução dessa agenda. Para isso surgiu a Mobilização Empresarial pela Inovação (MEI), articulada e liderada pela Confederação Nacional da Indústria. Lançado em outubro de 2008, o movimento reforça o compromisso com o desenvolvimento tecnológico do País: pretendemos fazer da inovação uma estratégia permanente das empresas. O ciclo de reuniões da MEI, destinado a discutir o papel da inovação e os desafios do País nessa área, começou em março.

Os debates orientarão o 3º Congresso Brasileiro de Inovação na Indústria, que a CNI realiza em 19 de agosto, em São Paulo.

Com a MEI, esperamos intensificar as discussões e reforçar o apoio do setor privado à Iniciativa Nacional pela Inovação, fórum estabelecido pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Industrial que visa estimular a prática de inovação no Brasil. Nosso propósito é igualmente contribuir para consolidar propostas que visem ao aperfeiçoamento das políticas públicas.

Inovação é ação estratégica. A tecnologia em si não faz milagre.

Para que o conhecimento novo se traduza em produtividade nas empresas e em crescimento econômico é preciso criar ambiente propício à absorção de novas tecnologias.

É disso que depende a competitividade de um país. Tais questões são centrais no Mapa Estratégico da Indústria, documento que traduz a visão dos empresários sobre o futuro do Brasil, construído na visão perspectiva de 2007-2015.

O Mapa aponta a necessidade de o setor privado triplicar os investimentos em atividades inovadoras nos próximos anos. É a única maneira de garantir a competitividade dos produtos e a expansão da economia brasileira. A meta estabelecida é elevar as aplicações privadas em pesquisa e desenvolvimento para 1,4% do PIB em 2015. Dados do Banco Mundial mostram que, em 2004, nossas aplicações em P&D equivaliam a 0,98% do PIB, o que nos deixa em desvantagem em relação a nossos competidores externos.

Na China, esses investimentos representavam 1,44% do PIB e, na Coreia, 2,65%.

Pesquisa Industrial de Inovação Tecnológica feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta que, em 2005, um terço das 90 mil empresas consultadas declarou investimentos em novos produtos ou processos nos dois anos anteriores ao levantamento.

Cerca de 20 mil empresas investiram R$ 34 bilhões em inovação.

É um valor ainda muito aquém das necessidades do País.

O reduzido número de empresas que utilizam os mecanismos de apoio governamental às atividades inovadoras mostra que o País deve também melhorar os incentivos fiscais previstos na Lei do Bem, para facilitar o acesso de micro e pequenas empresas a esses benefícios.

Outras questões que devem ser resolvidas são a complexidade dos processos, o excesso de burocracia e as incertezas jurídicas envolvidas na obtenção de recursos públicos de apoio à inovação.

O estímulo à inovação depende ainda da aprovação de leis mais rigorosas de combate à pirataria e do apoio à formalização de empresas. Devemos buscar igualmente articulação mais ampla entre os vários atores do processo e garantir a disponibilidade de recursos humanos qualificados para que funcione o sistema de inovação, composto por empresas, instituições de pesquisa, universidades e prestadores de serviços tecnológicos.

A crise internacional é um poderoso entrave aos investimentos em inovação. Mas não pode nos imobilizar. O cenário adverso obriga a busca de soluções inteligentes e o emprego de criativos instrumentos de incentivo ao desenvolvimento tecnológico. O Brasil deve adotar uma agenda positiva em que a inovação e o conhecimento façam parte da estratégia do bom combate, que prepare o País e as empresas para competir e aumentar a participação no mercado global.


Armando Monteiro Neto é presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI).


(Fonte: Jornal do Brasil – 09/08/2009; Protec)

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