Maria Celeste Emerick será exonerada da diretoria do Departamento do Patrimônio Genético do MMA

A diretora do Departamento do Patrimônio Genético (DPG) do Ministério do Meio Ambiente (MMA), Maria Celeste Emerick, ficará no cargo até o dia 10 de outubro. A exoneração foi confirmada pela diretora e pelo DPG apesar de ainda não ter sido publicada no Diário Oficial da União.

Em seu lugar, interinamente, assumirá Bráulio Ferreira de Souza Dias, diretor do Departamento de Conservação da Biodiversidade, até a volta da secretária de Biodiversidade e Florestas, Maria Cecília Wey de Brito, que viajou para participar da IUCN World Conservation Congress, que acontece de 5 a 14 deste mês em Barcelona, Espanha. Segundo informações do departamento, Maria Cecília Wey de Brito assumirá o DPG até a escolha do novo diretor definitivo.

Em entrevista exclusiva ao Gestão C&T online, Maria Celeste Emerick disse que o motivo da saída, segundo foi informado a ela, era de que o foco que ela tem à frente do departamento não é o foco da visão do ministério atual. “E eu perguntei que foco era esse, já que eu estava cumprindo uma agenda. E disseram que era o foco da inovação, da biotecnologia e que queriam alguém com um foco ambiental”, contou Emerick.

A diretora disse que quando aceitou o cargo, a convite da então ministra do Meio Ambienta, Marina Silva, ela foi com a convicção de que sua experiência de mais de 20 anos de gestão tecnológica na Fundação Oswaldo Cruz, (Fiocruz), entidade associada à ABIPTI, poderia ajudar nos objetivos da ministra, que era o de mudar a imagem do ministério, de querer avançar com a negociação do anteprojeto da Lei de Acesso aos Recursos Genéticos. “E ela [Marina Silva] entendia que eu podia, pela minha experiência de participar na elaboração e implementação de políticas públicas no Brasil”.

Emerick conta que a motivação que teve para aceitar o convite na época foi a certeza de poder contribuir para o aperfeiçoamento de uma política pública extremamente sensível, delicada, complexa e que está diretamente ligada à comunidade científica, às indústrias, que utilizam material genético da biodiversidade, e às comunidades tradicionais, que também têm um papel importante nessa discussão. “Enfim, três segmentos com interesses distintos, é uma discussão complexa, exige uma interação com esses segmentos e exige uma sensibilidade, uma capacidade de articular, de falar com pessoas diferentes, colocar todos em volta de uma mesa, buscando consenso.”

Na opinião da diretora, com este foco ela sentia que estavam contribuindo fortemente com o anteprojeto e que, ao conversar com pessoas do segmento, todos entendiam que a sua forma de atuar, mudando radicalmente a visão das pessoas sobre o assunto, dando mais visibilidade, convergindo mais com interesses gerais da nação, estava no caminho certo. “Para quem me conhece, eu sou uma socióloga, sabe que tenho uma visão muito mais macro estratégica de tentar estabelecer interfaces entre as legislações.”

Como exemplo ela cita a Lei de Inovação e a medida provisória nº 2.186-16 de 2001, que, atualmente, regula o acesso aos recursos genéticos no país. “A Lei de Inovação ela avança para um lado, a medida provisória, hoje em curso no país, ela dá trombada o tempo inteiro, são coisas delicadas e nem sempre bem equacionadas e o meu papel estava muito nesta direção. Tentando sensibilizar todos os NITs [Núcleos de Inovação Tecnológica], para que resolvessem a questão da legalização de suas instituições olhando para a própria Lei de Acesso.”

Maria Celeste Emerick disse ter cumprido o papel para o qual ela foi convidada. “É evidente que com a mudança de condução do ministério, há mudança de visão, de estilo. Acho importante dar esse retorno para a comunidade científica e tecnológica, que recebe esse jornal de vocês, que é o mais importante para esse público”, afirmou.

A diretora informou ainda que não sabe sobre o seu futuro profissional. “Tudo está muito recente, com mais calma vou analisar as novas oportunidades, já existem algumas sondagens de instituições. A minha instituição de origem é a Fiocruz e é evidente que se aparecer algo que tenha o meu perfil, de política pública nacional, que é uma visão mais executiva do processo de trabalho, eu me interessarei, mas ainda tenho que analisar”, concluiu.

DPG

O Departamento do Patrimônio Genético informou ao Gestão C&T online que os motivos da exoneração da diretora são, realmente, relacionados às diferenças de foco de atuação da diretora e do ministério.

Entrevista

O Gestão C&T impresso de janeiro deste ano publicou uma entrevista exclusiva com Maria Celeste Emerick, confira a entrevista por este link.

(Fabiana Santos para o Gestão C&T online)

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