Pesquisa une UNESP, USP, Shell Brasil e deep techs brasileiras para aplicar a mesma tecnologia premiada com o Nobel de Química de 2025 na recuperação de solos tropicais
Uma pesquisa desenvolvida no Centro de Pesquisa e Inovação em Gases de Efeito Estufa da Universidade de São Paulo (RCGI-USP), com participação da UNESP, resultou em uma patente para um fertilizante inteligente voltado à recuperação de solos degradados. A iniciativa reúne também Shell Brasil, MOF Tech e Quanticum.
A tecnologia utiliza estruturas metal-orgânicas, conhecidas pela sigla MOFs. Esses materiais porosos podem reter nutrientes e liberá-los de forma controlada no solo, como nitrogênio, fósforo e ferro. A proposta é reduzir perdas, melhorar o aproveitamento dos insumos pelas culturas e contribuir para a recuperação da fertilidade em solos tropicais, frequentemente marcados por acidez elevada e baixa capacidade de retenção de nutrientes.
O fertilizante é aplicado diretamente ao solo e atua como um material de liberação gradual. A composição pode ser ajustada de acordo com características do terreno e com as necessidades das culturas, o que abre caminho para aplicações mais precisas na agricultura.
Os testes foram conduzidos em condições controladas e em áreas comerciais de cana-de-açúcar, soja, café e milho. Segundo os dados divulgados pelo projeto, os resultados apontam ganhos de produtividade, ampliação do carbono armazenado no solo e redução de emissões de dióxido de carbono.
A Agência UNESP de Inovação (AUIN) participa da articulação entre a pesquisa acadêmica e o setor produtivo, contribuindo para a transformação de resultados científicos em soluções passíveis de aplicação e a parceria envolve ainda duas deep techs: a MOF Tech, voltada ao desenvolvimento de materiais baseados em MOFs, e a Quanticum, empresa ligada à UNESP que atua na análise da fração mineral dos solos.
“As parcerias são fundamentais, da universidade com o setor produtivo, as startups, porque elas tiram o conhecimento da casa do saber, que é a universidade e transformam em produtos, serviços, métodos e processos que vão atender a sociedade.”, comentou Saulo Guerra, diretor da AUIN.
A solução foi validada em escala de quilogramas e avança para a etapa de ampliação industrial.



