Processo aproveita as melhores características dos componentes da liga.
Buscando unir as melhores características proporcionadas por ligas de diferentes matérias em um mesmo componente, pesquisadores da Unesp desenvolveram um processo químico de enriquecimento de ligas de ouro.
A tecnologia desenvolverá uma camada superficial de ouro puro que acrescentará à superfície do componente as características de elevada resistência à corrosão e boa condutividade térmica e elétrica.
Esse estudo foi tema da dissertação de mestrado do pesquisador Aluisio Pinto da Silva sob orientação do professor Tomaz Manabu Hashimoto da Faculdade de Engenharia de Guaratinguetá (FEG-Unesp ).
Por meio de ataques químicos, o processo desenvolvido retira elementos da camada superficial da liga distinguindo-a das camadas interiores. “Em combinações tradicionais (75% Ouro, 12,5% Prata, 12,5% Cobre) podemos obter camadas com espessuras maiores que 20μm (1 × 10-6 metros) onde a composição foi alterada para 100% de Ouro”, explica o pesquisador Aluisio Silva. “Estas composições diferentes permitiriam o componente ter características como boa resistência mecânica e alta condutividade elétrica, boa elasticidade mecânica e resistência à corrosão, entre outros fatores.”, completa.
Já foram realizados ensaios em laboratório que demonstraram sucesso. O pedido de patente foi depositado pela Agência Unesp de Inovação (AUIN). “Procuramos despertar interesse em empresas ou grupos de pesquisa para que prossigam no desenvolvimento do processo e nos campos de aplicação do mesmo“ completa Silva sobre suas expectativas para ao invento. Para mais informações: auin@unesp.br.
O início da pesquisa
Aluisio Pinto da Silva mostrou interesse pelo processamento de ligas de ouro desde a graduação, porém o trabalho começou objetivamente em 1988. O que despertou o pesquisador para esse segmento foi conhecer peças de joalheria de povos antigos como os Etruscos ou como os que habitavam a América do Sul. “Estes povos obtinham peças com detalhes de acabamento difíceis de serem obtidos, mesmo com as tecnologias atuais”, explica.
“Até criei uma oficina em minha própria residência onde fazia essa pesquisa isoladamente, como hobby. Importei livros e revistas técnicas que abordavam estes processos e também comprei, projetei e confeccionei equipamentos para fundição por cera perdida, equipamentos para fundir e produzir ligas com composições projetadas, laminar e soldar”, conta Silva.
Porém, o pequeno laboratório em sua própria casa não foi suficiente para continuar o trabalho. Na época, ainda faltavam equipamentos caros para micrografia, microscópios, etc… Então em 1999 pesquisador procurou a Unesp, buscando reencontrar o Professor Tomaz Manabu Hashimoto que deu apoio e incentivo ao projeto.
Em 2001, como aluno regular de mestrado veio a possibilidade de acesso aos laboratórios da FEG-Unesp, o que ampliou as oportunidades de pesquisa.
“Por coincidência, na época, uma casa de minha propriedade foi desocupada pelo inquilino, então mudei todos os apetrechos de meu laboratório para lá”, recorda. “Passei, então, me dedicar integralmente ao meu mestrado. Fazendo os ensaios em casa e avaliando os resultados nos laboratórios da Unesp”, explica.
A proposta do mestrado era selecionar a melhor forma de se aplicar o processo e mensurar as características da camada obtida: composição e espessura. Porém, durante os ensaios que eram muito demorados foram surgindo ideias para se acelerar as reações. Para não desviar o foco da dissertação, estas idéias foram registradas, mas, não pesquisadas profundamente, e agora são apresentadas nessa nova patente realizada pela Agência Unesp de Inovação AUIN.



