Cerca de 10% do total que as empresas aplicam em inovação são provenientes de recursos públicos. Investir em P&D de forma contínua promove crescimento do país, segundo Ipea
Para o pesquisador João Alberto de Negri, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o “risco de criatividade”, quando se faz inovação tecnológica (nas empresas), deve ser compartilhado com o setor público. A idéia foi defendida, nesta quarta-feira (07/11), durante a Conferência Estadual de C&T do Paraná, que acontece em Londrina (PR).
Ele explica que toda empresa possui dois tipos de risco no processo de produção de inovação tecnológica. O primeiro deles é o risco empresarial, que deve ser assumido, em sua avaliação, pela própria empresa. O segundo risco é o que envolve a criatividade, são os investimentos em P&D que são feitos sem se levar em conta se vai gerar um produto ou um processo realmente inovador. “Esse risco deve ser compartilhado com o Estado”, disse.
Negri ressaltou que as empresas que estão promovendo o crescimento do país são aquelas que estão investindo em P&D de forma contínua. “Mas elas ainda fazem os investimentos do próprio bolso”, salientou.
O pesquisador conta que uma das propostas do Ipea, que foi incorporada pelo MCT no Plano de Ação para os próximos quatro anos, previsto para ser lançado este mês, é elevar o percentual de investimentos em P&D com base no PIB. A idéia, levantada por Negri, é que se aplique R$ 1 bilhão nas empresas, por ano, nos próximos oito anos até se alcançar um investimento de R$ 8 bilhões para P&D. O pesquisador explica ainda que, num primeiro momento, pretende-se beneficiar 5 mil empresas.
Negri fez ainda um diagnóstico da situação da inovação tecnológica no país. Ele explica que o Brasil possui menos de uma pessoa por empresa envolvida na área de P&D. Em países como França e Alemanha, esse índice chega a 14,3 e 8,7 pessoas, respectivamente. “O Brasil está muito abaixo dos padrões internacionais”, afirmou.
Ele apresentou ainda os investimentos públicos feitos nas empresas para que elas façam inovação. Cerca de 10% do total que a empresa investe para inovar no Brasil são provenientes de recursos públicos. O pesquisador ressalta que a média da União Européia de empresas que recebem investimentos de fundos públicos é de 45% do total investido em inovação. Ele lembra que na Europa boa parte desses recursos são com taxas de juro zero. “No Brasil, os projetos são financiados com as taxas de mercado, a exceção dos poucos programas que a Finep desenvolve para reverter esse quadro.”
Outra pesquisa, realizada por Negri, levantou os dados sobre inovação tecnológica no Brasil e comparou com empresas similares da Argentina, México e Espanha. “O Brasil está numa média boa nessa comparação. Poderíamos fazer melhor, mas há um esforço que está sendo realizado para que os percentuais sejam maiores”, avaliou.
Ele salientou ainda que parece não haver no país um consenso de que de fato é a inovação tecnológica que promove o desenvolvimento. Em sua opinião, o Brasil tem boas condições de se inserir com tecnologia no mercado para competir. Negri acredita que o país nunca vai deixar de ter boas condições de atuar na área agrícola. “Mas esse é o momento em que há a oportunidade de se desenvolver renda e riqueza para o país por meio da inovação tecnológica. Deve-se estimular a P&D nas empresas e intensificar, nessa área, o que o governo está fazendo de forma acanhada”, observou.



