O mundo está cheio de empresas de fachada. Pelo menos quando o assunto é a inovação. É o que a americana Nancy Tennant, executiva que lidera a inovação na Whirlpool – que detém as marcas Brastemp, Consul e KitchenAid – chama de “PR Innovation”, uma espécie de relações públicas da inovação. Essas empresas falam muito sobre o tema, divulgam exaustivamente que investem nisso e, depois de tanto comercial, conseguem agregar valor à imagem. “O problema é que essas empresas não criaram a mudança necessária para se tornarem verdadeiramente inovadoras”, afirma Nancy.
Para a vice-presidente para liderança e competência estratégica da Whirlpool Corporation, professora do programa de MBA da Universidade de Notre Dame, em Indiana (EUA), e uma das principais palestrantes do 3º Congresso Brasileiro de Inovação na Indústria, a maioria das empresas com mais de dez anos de vida não foi construída para inovar. Elas foram criadas para cortar custos, reduzir as variações de processos e aumentar o lucro.
Todas essas coisas são boas, mas agora é necessário mudar para ser inovador e também criar um crescimento sustentável e rentável. Muitas vezes, as forças que ajudam as companhias a alcançar boa competitividade são as forças que matam a inovação. “As empresas vencedoras serão aquelas que conseguirem unir as duas coisas”, acredita Nancy.
Entre os principais erros cometidos pelas empresas, Nancy destaca o fato de elas exigirem a inovação de seus funcionários quando elas mesmas nunca os treinaram ou removeram as barreiras para o seu respectivo sucesso. Os líderes das empresas têm como desafio transformar a cultura das organizações de forma a criar novos mercados a partir de ideias, talentos e recursos. Para Nancy, a inovação deveria ser um direito de todo empregado de uma organização, e não um privilégio de vice-presidentes e times de marketing.
Para ela, existem hoje dois tipos de empresa: a que pode inovar e aquela que já é inovadora. A primeira pode contratar consultores, adquirir companhias ou criar eventos especiais que levem à inovação. A segunda, que já é inovadora, pode gerar inovação o tempo todo. Para se manter no segundo time, a Whirpool investe por volta de US$ 100 milhões por ano em Pesquisa & Desenvolvimento, comunicação e marketing para suas três marcas.
Nancy enxerga o Brasil como um dos países mais inovadores do mundo. Ela atribui sua visão ao modelo adotado pelo Governo para economizar energia e promover o movimento verde. Também considera que as empresas daqui aprenderam a sobreviver em tempos de crise e a prosperar mesmo diante de muita volatilidade econômica. “Fico muito impressionada com a criatividade, inovação e espírito vencedor dos meus colegas brasileiros”, diz.
Embora considere a Whirlpool muito inovadora, Nancy revela que a empresa é uma eterna insatisfeita. “Sempre vemos que há novos ou melhores caminhos para inovar”.A fabricante, como ela gosta de contar, construiu uma máquina de inovação que é invejada pela concorrência. Essa máquina, no entanto, precisa passar constantemente por manutenção para operar de forma apropriada. Neste momento, o equipamento encontra-se na assistência técnica. “A Whirlpool está redefinindo sua estratégia de inovação e desenvolvendo seu próximo passo”.
A fabricante de refrigeradores, fogões, lavadoras, secadoras e micro-ondas inseriu a inovação em seu dia a dia a partir de 1999, antes de a maioria das empresas perceberem que cada empregado poderia inovar, desde que tivesse as habilidades e ferramentas corretas para isso. “O andar de eletrodomésticos dos lojistas passou de um mar de caixas brancas para um tsunami de produtos com novos recursos e cores”, conta Nancy. A experiência de compra do consumidor ficou mais interessante e divertida. Em troca, a Whirlpool conseguiu fidelizar seus clientes, gerar propaganda boca a boca e aumentar suas margens de lucros.
(Fonte: Valor Econômico – 19/08/2009 e Protec)



