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Notícia

Unesp e empresa ITST desenvolvem sistema para diagnóstico autônomo de alergias

22/04/2021
Invenção foi estruturada em parceria e deve ser disponibilizada em breve para o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu

Dados da Organização Mundial da Saúde apontam que, no Brasil, cerca de 30% da população possui algum tipo de alergia.

Atentos a esse contexto, um grupo de discentes e docentes de graduação e pós-graduação da Unesp de Botucatu e membros do setor produtivo uniram forças para viabilizar um aplicativo para dispositivos móveis capaz de realizar o diagnóstico autônomo do Teste Alérgico de Puntura, conhecido pela comunidade médica como Skin Prick Test.

 

Informações sobre a invenção

O aplicativo desenvolvido utiliza Inteligência Artificial (IA), mais especificamente técnicas de Deep Learning, a fim de fornecer o diagnóstico.

Para isso, inicialmente é feita a captura de uma foto da região anatômica do paciente, na qual o Teste tenha sido aplicado. Na sequência, a imagem é enviada para um servidor em nuvem que contém um modelo preditivo e realiza a segmentação/identificação de possíveis reações alérgicas na pele, chamadas de pápulas.

Após o processamento da foto via IA, feito de modo quase instantâneo, o médico recebe automaticamente todas as leituras necessárias para o diagnóstico.

A criação nasceu com o propósito de melhorar a acurácia de um Teste que é realizado praticamente da mesma forma desde o século passado, de maneira totalmente manual. Com a tecnologia, o médico usuário pode eliminar o uso de caneta, régua (ou paquímetro), papel e fitas adesivas para obter o diagnóstico de alergia; assim, a definição ocorre através de imagem e não mais com a dependência total de quem realiza o procedimento.

O sistema foi desenvolvido em parceria com a ITST Consultoria em Informática, sendo que o modelo da Inteligência Artificial foi criado na Unesp e o aplicativo foi desenvolvido pela empresa. Um dos nomes à frente do projeto é Edson Perger, doutorando no curso de Pós-Graduação em Pesquisa e Desenvolvimento (Biotecnologia Médica) da FMB-Unesp, e, além disso, Gerente de Pesquisa e Desenvolvimento na Área da Saúde na ITST.

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Trajetórias consolidadas na Unesp

Edson Perger possui experiência na área de Radiologia, trabalha com estudos nas áreas de Inteligência Artificial, Biotecnologia e Radiações Ionizantes, e comenta como iniciou o projeto: “Me aproximei da ITST por conta da minha pesquisa de doutorado, e, depois de firmarmos o contrato de desenvolvimento para fazer o aplicativo, fui convidado para fazer parte do quadro de colaboradores da empresa. A ideia da invenção é atender às necessidades da comunidade médica e da população; estamos engajados para que essa parceria gere bons resultados, e mesmo outras parcerias no futuro”. 

O doutorando é orientado pelo Prof. Dr. Rafael Plana Simões. Rafael tem graduação em Física pela Unesp, além de mestrado e doutorado em Ciência e Tecnologia de Materiais pela mesma instituição. Ele atua como docente do curso de Engenharia de Bioprocessos e Biotecnologia da Faculdade de Ciências Agronômicas, é docente e vice coordenador do Programa de Pós-Graduação em Pesquisa e Desenvolvimento também da Unesp, e realiza pesquisas nas áreas de modelagem matemática e inteligência artificial aplicadas à biotecnologia, bioengenharia e bioinformática.

Segundo o docente, o surgimento do projeto com a empresa ITST e a contratação de Edson estão alinhados ao foco profissional do programa de pós-graduação do qual ele é vice coordenador. “O programa tem como objetivos principais capacitar profissionais qualificados para o exercício da prática avançada e transformadora de procedimentos, visando atender a demandas sociais e organizacionais, além de transferir conhecimentos para a sociedade em prol do desenvolvimento local, regional e nacional. Nesse sentido, buscamos que os resultados das pesquisas de fato tenham relevância e aplicabilidade, e ficamos muito felizes com a efetivação do Edson, que pode compartilhar no mercado de trabalho o aprendizado construído no doutorado”, diz.

A ligação da ITST com a Universidade Estadual Paulista se fortaleceu com a contratação de Edson, mas já existia de certa forma desde a graduação de Fabrício Cordeiro, sócio-diretor da empresa. Afinal, ele se formou em Ciência da Computação pela Unesp de Rio Preto, e pontua que tem muito orgulho por ser o representante responsável pelo time de Desenvolvimento da aplicação estruturada, garantindo o compromisso e os investimentos necessários.

Além de Edson, Rafael e Fabrício, outros membros e egressos da Universidade contribuíram diretamente para a viabilização da invenção, tais como:

- Profa. Dra. Denise Fecchio – responsável pelo Núcleo de Empreendedorismo, Tecnologia e Inovação (NETI) da Faculdade de Medicina de Botucatu, que fez o contato e a intermediação entre a Unesp, a ITST e a Agência Unesp de Inovação.

- Ramon Gomes e Lucas Vasques, alunos de graduação que desenvolvem Iniciação Científica com o professor Rafael Plana Simões.

- Dra. Elaine Gagete – médica graduada pela Unesp Botucatu, especialista em alergia/imunologia e responsável por enviar os dados necessários para a pesquisa e os testes da Inovação, contribuindo com uma visão crítica do profissional especializado que irá utilizar a tecnologia.

 

Benefícios da parceria entre Universidade e empresas

O professor Rafael Plana Simões exalta que a cooperação entre a Unesp e o setor produtivo é de extrema importância por vários motivos, tais como:

- Capacidade de transformar as pesquisas em produtos comercializáveis e em oportunidades de desenvolvimento e emprego para os alunos envolvidos com os estudos;

- Aumento das possibilidades de licenciamento e registro das tecnologias, o que contribui tanto para os índices da universidade e para o reconhecimento do que é feito pelos pesquisadores, quanto para o desenvolvimento tecnológico e econômico do país;

- Acesso a recursos diversos de fomento à pesquisa para além do que é disponibilizado por órgãos públicos. A conexão com empresas possibilita, por exemplo, a colaboração com profissionais capacitados, o uso de equipamentos e o aporte financeiro, sendo que todos esses pontos melhoram os resultados da pesquisa e do produto final.

Inclusive, Rafael destaca a participação fundamental do time de desenvolvedores da ITST, que criou o aplicativo de forma altamente profissional, e foi formado por: Victor Campanella; Eduardo Santana; Alan Canuto; Felipe Neri; Jonatan Paes; Leonardo Aguiar; Tulio Fernandes.

 

Pontes construídas pela Agência Unesp de Inovação

No projeto citado, a AUIN foi responsável por intermediar todas as questões de proteção da propriedade intelectual, além da formalização de contratos e de outros pontos burocráticos da parceria, permitindo que tanto os pesquisadores quanto os envolvidos da empresa focassem apenas na pesquisa e na geração do produto.

“A AUIN se posiciona como forte aliada para a consolidação da inovação, agregando expertises que os professores e pesquisadores da universidade não possuem. A Agência arca com todos os custos para o registro formal da propriedade intelectual, e ainda dá suporte e orientações para o entendimento e o cumprimento das legislações brasileiras. Com certeza sem a AUIN essa parceria não teria se concretizado, e agradecemos por todo o apoio!“, comenta o professor Rafael Simões.

 

Expectativas para a invenção

Todos os envolvidos com a tecnologia ressaltam que o intuito é que a solução seja utilizada amplamente pelos hospitais e centros de saúde que a Unesp integra.

Estão sendo feitas reuniões com integrantes das áreas que realizam testes de alergias  no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu, e a proposta é que os médicos tenham acesso em breve ao aplicativo para a melhoria dos serviços prestados aos pacientes. A ITST disponibilizará tal aplicativo à Unesp a um custo reduzido, e a plataforma de Inteligência Artificial, que foi construída na Universidade, será oferecida de forma gratuita.

Fabrício Cordeiro, sócio-diretor da ITST, comenta: “É de suma importância que todos os recursos da tecnologia sejam utilizados nos atendimentos. Isso não só contribuirá para gerar novas pesquisas em diagnóstico por imagem, como também vai melhorar os cuidados com a saúde e os resultados dos exames. Em contrapartida, a ITST terá acesso a informações para a melhoria contínua do aplicativo, que poderá ser aprimorado conforme as demandas e sugestões dos usuários”.

O pesquisador Edson Perger complementa destacando que há a pretensão de, futuramente, ampliar as funções do aplicativo, transformando-o em uma plataforma para o diagnóstico autônomo de outras patologias, como é o caso do melanoma (câncer de pele), utilizando metodologia similar à apresentada. Ele ainda pontua que não há nenhum tipo de tecnologia similar desenvolvida no Brasil, e existem raras soluções semelhantes fora do país. Por isso, a ideia é comercializar a invenção não só no território brasileiro, como também no exterior.

Mais detalhes sobre o produto podem ser obtidos no site: https://itst.com.br/site/itst/go-apps/pricki/

 

Mensagem de estímulo a pesquisadores e empresas

Questionados sobre a inspiração que querem deixar para outros inventores da Unesp e do setor produtivo, Edson, Rafael, Fabrício e os demais participantes do projeto exaltam o poder da união para gerar produtos com impacto positivo através de pesquisas.

“Existem membros da universidade que não se sentem confortáveis com parcerias com empresas por acreditarem que os objetivos acadêmicos e científicos não são compatíveis com os objetivos comerciais e mercadológicos de uma organização. Contudo, na minha opinião, é preciso enxergar esses atores como corresponsáveis pelo desenvolvimento tecnológico e econômico do país, e, como tal, eles precisam atuar juntos”, reflete o professor Rafael.

Fabrício corrobora com a ideia: “Acredito que esse tipo de parceria deveria se tornar uma cultura dentro das universidades públicas. Vejo isso como uma forma de aumentar o reconhecimento dessas instituições no contexto nacional e internacional. As empresas enxergam as universidades como potenciais centros de Pesquisa e Desenvolvimento e acredito que estão dispostas a investir no aprimoramento constante das inovações brasileiras”.

 

Autoria da matéria: Tainah Veras.